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Ixé Ygara voltando pra ’ Y’Kûá (sou canoa voltando pra enseada do rio)

Ixé Ygara voltando pra ’ Y’Kûá (sou canoa voltando pra enseada do rio)

Ellen Lima
tipo livro
estado novo
capa comum
editora Urutau
ano de publicação 2021
categoria(s) Poesia, Não-ficção, Ficção
número de páginas 64
peso 170g
dimensões 17cm / 12cm / 1cm
R$ 40,00

descrição

Este livro é um atravessamento. Os versos que atravessam os poemas antes disso atravessaram a história de um país inteiro, contada aqui pela voz poética de uma mulher na medida da sua travessia. A voz criada pela autora, uma mulher brasileira de origem na indígena, conta poema a poema a vivência de milhares de brasileiros cuja identidade e ancestralidade indígena foram atravessadas pela ocidentalização, mas que agora fazem uma nova travessia, a de volta, como uma canoa voltando pra enseada.

O fio condutor dos versos costura a diáspora e o retorno a si, uma retomada que, de dentro pra fora, acompanha o ciclo do mundo, uma reocupação do seu próprio território íntimo, mas tão pessoal quanto universal. E retornar a si mora no reconhecimento em ser ela mesma um resultado dialético da ilusão do Ocidente com sua origem e ancestralidade indígena, aquela que tem a casa com chão de água e paredes de ar.

A leitura conduz às sensações mais profundas de uma identidade que, marcada, cortada, ferida, gera uma nova identidade no corpo marcado da moça indígena ocidentalizada que aqui fala: angústias do capitalismo ocidental, pertencimento, não-pertencimento, o paradoxo de morar sob a composição de dois sentidos tão antagônicos, a presença e a vivência da cosmologia indígena, em que a natureza é tão somente si mesma, diz: o mar sou eu, tal e qual o vento, o céu, o pássaro, a, a água, a nuvem, e cuja a morte e a vida gozam do mesmo pleno sentido, estatuto e importância.

As páginas que aqui serão lidas são um passeio num Brasil contemporâneo, um passeio assombroso, doído e cheio de ternura neste país tão fortemente atravessado quanto são os poemas, uma seta, uma travessia onde a leitura de cada poema oferece um atravessamento no corpo de quem o maneja. Este livro é uma pedra, portanto. Uma pedra à beira do mar, exposta à ventania e à agua, que com o tempo, toma a forma do próprio tempo que o provoca. A pedra, em algum momento, que deixa de ser somente pedra e passa a ser também tudo que nela toca. A estrela valente, e o significado da literatura brasileira. - Manuella Bezerra de Melo

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